Queda de cabelo por deficiência de ferro ou zinco: o que você precisa saber

Queda de cabelo pode ser sinal de deficiência de ferro ou zinco. Entenda como isso impacta a saúde capilar, como diagnosticar e tratar.

Cabelo, pente e comprimidos fazendo referência à queda de cabelo por deficiência de ferro.

A deficiência de ferro ou zinco é uma das causas mais comuns de eflúvio telógeno — um tipo de queda de cabelo difusa e temporária. Esses nutrientes são essenciais para o funcionamento dos folículos capilares, e sua carência pode interromper o ciclo de crescimento dos fios. Reconhecer essa ligação é fundamental para identificar a causa do problema e direcionar um tratamento eficaz.

Por que ferro e zinco são importantes para a saúde capilar?

O ferro e o zinco são micronutrientes vitais que participam de inúmeras funções biológicas no corpo, incluindo processos essenciais para o crescimento e a manutenção dos cabelos.

Papel do ferro na oxigenação dos folículos

O ferro é um componente essencial da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo, incluindo as células dos folículos capilares. A oxigenação adequada dos folículos é crucial para fornecer a energia necessária para o crescimento e a vitalidade dos fios. A deficiência de ferro pode levar à anemia, resultando em menor aporte de oxigênio aos folículos, comprometendo sua função e levando à queda.

Função do zinco na divisão celular e imunidade 

O zinco é um mineral que participa de mais de 300 reações enzimáticas no organismo. Ele tem um papel principal na divisão celular, um processo fundamental para o crescimento capilar, já que as células da matriz capilar se dividem rapidamente para formar novos fios. Além do mais, o zinco é importante para a função imunológica e para a síntese de proteínas, incluindo a queratina, a principal proteína estrutural do cabelo. A deficiência de zinco pode afetar a estrutura do cabelo, tornando-o mais frágil e propenso à queda.

Como a deficiência de ferro e zinco causa queda de cabelo?

A falta adequada de ferro e zinco pode interferir diretamente no ciclo de crescimento capilar:

Interrupção do ciclo anágeno

A deficiência de ferro ou zinco pode interromper precocemente a fase anágena (fase de crescimento ativo), forçando os fios a entrarem prematuramente na fase telógena (repouso), o que caracteriza o eflúvio telógeno. Além disso, esses nutrientes são fundamentais para o bom funcionamento da papila dérmica — região que regula o crescimento do fio. Quando essa estrutura é comprometida, os fios nascem mais finos, frágeis e com menor densidade.

A papila dérmica, localizada na base do folículo capilar, contém células que regulam o crescimento do cabelo. O ferro e o zinco são essenciais para a atividade e proliferação dessas células. A deficiência desses nutrientes pode comprometer a função da papila dérmica, resultando em fios mais finos, fracos e com menor capacidade de crescimento.

A consequência da interrupção do ciclo anágeno e da diminuição da atividade da papila dérmica é frequentemente um eflúvio telógeno, caracterizado por uma queda difusa de cabelo em todo o couro cabeludo. Em casos de deficiência crônica e não tratada, essa queda pode se tornar prolongada e levar a uma rarefação capilar visível.

Sinais clínicos associados

Além da queda de cabelo, a deficiência de ferro e zinco pode se manifestar por outros sinais e sintomas:

  • Unhas fracas e quebradiças: A deficiência de ferro pode levar a unhas pálidas, finas, em formato de colher (coiloníquia) e quebradiças. A falta de zinco também pode causar alterações nas unhas, como manchas brancas.
  • Palidez: a anemia ferropriva (deficiência de ferro) pode causar palidez da pele e das mucosas devido à redução da hemoglobina.
  • Cansaço e fadiga: a falta de oxigênio devido à deficiência de ferro pode levar a cansaço extremo e falta de energia.
  • Baixa imunidade: o zinco é essencial em função do sistema imunológico. A deficiência pode aumentar a susceptibilidade a infecções.
  • Outros sintomas: outros sinais podem incluir dor de cabeça, tontura (no caso da deficiência de ferro), perda de apetite e alterações no paladar (no caso da deficiência de zinco).

É importante notar que nem sempre a queda de cabelo por deficiência de ferro ou zinco estará acompanhada de todos esses sintomas, especialmente em casos de deficiências leves ou moderadas.

Como diagnosticar a deficiência nutricional?

Alimentos ricos em ferro fazendo referência à queda de cabelo por deficiência de ferro.

 A identificação precisa da deficiência de ferro ou zinco como causa da queda de cabelo envolve uma avaliação profissional:

Avaliação com tricologista

O primeiro passo é consultar um tricologista, que irá realizar uma avaliação detalhada do seu histórico médico, hábitos alimentares e padrão de queda capilar.

Para confirmar a suspeita de deficiência nutricional, o tricologista solicitará exames laboratoriais específicos. Para avaliar os níveis de ferro, os exames mais comuns incluem:

Ferritina: reflete os estoques de ferro no organismo. É um dos marcadores mais sensíveis para detectar a deficiência de ferro.

Ferro sérico: mede a quantidade de ferro circulante no sangue.

Hemograma: avalia os níveis de hemoglobina e hematócrito, importantes para diagnosticar anemia.

Capacidade total de ligação do ferro (TIBC) e saturação de transferrina: fornecem informações adicionais sobre o metabolismo do ferro.

Para avaliar os níveis de zinco, o exame mais comum é a dosagem de zinco sérico. No entanto, é importante notar que os níveis séricos de zinco podem não refletir precisamente os estoques corporais.

A interpretação dos resultados dos exames laboratoriais deve sempre ser feita em conjunto com os sinais clínicos apresentados pelo paciente. Um tricologista experiente poderá correlacionar os níveis de ferro e zinco com o padrão de queda capilar e outros sintomas associados.

Tratamento da queda por deficiência de ferro e zinco

Cápsulas de comprimido e alimentos fazendo referência à queda de cabelo por deficiência de ferro.

O tratamento da queda de cabelo causada por deficiência de ferro ou zinco visa repor os níveis adequados desses nutrientes no organismo:

Reposição orientada

A base do tratamento é a reposição orientada do nutriente deficiente.

A suplementação de ferro e/ou zinco deve ser feita sob orientação médica ou nutricional, com doses ajustadas à gravidade da deficiência e às necessidades individuais. A automedicação pode ser perigosa e levar a efeitos colaterais ou à absorção inadequada dos nutrientes.

O ferro está disponível em diversas formas (sulfato ferroso, gluconato ferroso, ferro quelato), e a escolha dependerá da tolerância individual e da biodisponibilidade. O zinco também possui diferentes formas (sulfato de zinco, gluconato de zinco, picolinato de zinco).

O acompanhamento de um nutricionista é fundamental para otimizar a absorção dos nutrientes através da dieta e para identificar e corrigir hábitos alimentares que possam estar contribuindo para a deficiência. O nutricionista pode elaborar um plano alimentar rico em fontes de ferro (carnes vermelhas, leguminosas, vegetais verde-escuros) e zinco (carnes, frutos do mar, sementes, castanhas).

Terapias complementares

Em alguns casos, o tricologista pode indicar terapias complementares para estimular o crescimento capilar enquanto a reposição nutricional faz efeito:

Estímulo com minoxidil: o minoxidil tópico pode ajudar a estimular o crescimento dos fios e aumentar o fluxo sanguíneo para o couro cabeludo.

Microagulhamento: pode estimular a produção de fatores de crescimento no couro cabeludo, favorecendo a recuperação capilar.

Dieta equilibrada e ajustes de estilo de vida: Manter uma dieta equilibrada e um estilo de vida saudável, com sono adequado e controle do estresse, também são importantes para a saúde capilar geral e para otimizar a absorção de nutrientes.

Como aprender a atuar em casos de alopecia nutricional?

Mãos sobre o laptop fazendo referência a como aprender a tratar queda de cabelo por deficiência de ferro.

Para profissionais da saúde que desejam compreender e tratar com segurança os casos de alopecia relacionados à deficiência de ferro, zinco e outros nutrientes, a Especialização Tricologia de Ouro oferece uma trilha técnica, clínica e aprofundada.

Essa capacitação é indicada tanto para quem está iniciando na área quanto para profissionais que já atuam com pacientes e desejam conduzir atendimentos com mais autonomia — interpretando exames, avaliando sinais clínicos e prescrevendo condutas personalizada

Casos de alopecia nutricional exigem raciocínio clínico, correlação entre dados laboratoriais e achados tricoscópicos, domínio da suplementação e capacidade de acompanhar a resposta terapêutica com responsabilidade.

É isso que você desenvolve dentro da Tricologia de Ouro: conhecimento, segurança e visão prática para atuar com eficácia em qualquer tipo de queda.

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Lívia Viccari

Sou farmacêutica pela Universidade Estadual de Maringá e pós-graduada em Tricologia e em Estética.

Possuo minha clínica de tricologia na cidade de Maringá/PR, onde atendi nos últimos 3 anos mais de 2000 pacientes.

Sou fundadora e coordenadora do Instituto LV de Ensino em Tricologia, que possui mais de 5.000 alunos.

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